Cansei de tentar impor minha presença para poder ser
percebida. De tentar ser legal com um monte de merda, e me igualar tentando não
ser mais eu para que essa merda toda me aceite. Agora, eu simplesmente calo.
Nada de gritos. Foda-se. Recuso-me a passar horas de conversas vazias em uma
mesa com pessoas vazias, porque não existe nada mais em vão do que meu próprio âmago.
Eu vejo o noticiário, me revolto à beça e
consigo mudar a situação: troco de canal. Agora é assim, desprezível, é tudo pejorativo
e feio e escroto, uma verdadeira tristeza. Mas, quem liga? Não me importo, não mais.
Para a alegria das pessoas que dizem que eu
sou diferente esperando que eu tema a verdade, agora, meus queridos, eu simplesmente
calo. A verdade é que eu estou pouco me fodendo para meu grupinho de amigos e
para todo resto que é somente sujeira. Eu não tenho mais argumentos.
E foi na minha
covardia e no meu silêncio, que o mundo de certa forma calou junto. Porque além
de calar, eu simplesmente recuso escutar.
Luiza Rocha
Luiza Rocha

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