Era uma tarde chuvosa e triste. Mas eu só conseguia me lembrar
de você, naquela noite dizendo baixinho, que eu era apenas uma menina covarde
que tinha medo de ser amada, e que o meu maior medo estava acontecendo. E quando
acordei você não estava do meu lado, e eu não me preocupei, porque sabia que
você iria voltar.
Eu não vou embora
como aquela vez, não vou estragar tudo como sempre, por achar tudo pouco e
banal. Porque não é. E agora, neste momento, a única coisa que me assusta é não
sentir medo. Porque é no meu medo que eu encontro um pouco de chão. Mas agora
eu penso: e daí que eu não tenho mais chão? Se tudo isso acabar e eu cair,
talvez lá em baixo haja flores. É um risco, mas vale muito mais a pena tentar.
Quando tenho aquelas
crises de choro do nada, com medo da alegria e sua fugacidade, e me acho louca
e choro mais ainda, me lembro de você dizendo que tudo bem perder o
controle assim de vez em quando, de chorar baixinho pela minha própria loucura
e do mundo. Eu com as minhas crises e você com sua calma psicológica. Eu
querendo derrubar o mundo e você querendo promover a paz com seu jeito bom
moço.
Ninguém acreditava na
gente, e mesmo assim saímos da nossa bolha de proteção e enfrentamos todas as
duvidas, e apesar de sermos completamente diferentes, éramos o que faltava um
no outro.
Eu sinto muito, sei que vocês vêm aqui pra lerem
as loucuras da doida eterna revolucionaria de sofá, e os meus textos malandros
iludidos, e também sei que esse texto está meloso, mas é isso aí. Não tem palavrão, não tem tristezas e nem
sujeiras. E é isso, enquanto eu apenas sinto e existo.
Luiza Rocha
Luiza Rocha

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