quarta-feira, 20 de março de 2013

Não é Capitu, mas poderia ser.


 É mais uma festa, mais uma musica e mais uma ultima dança. E lá vai ela. Essa garota anda por aí, sempre em bares, baladas, conversas vazias e lugares lotados. Ela sabe que poderia estar em sua casa com um bom livro, ela quer isso. Ela ama um livro. E a vendo assim de longe qualquer um perceberia que ela está feliz, mas só quem já a viu de perto sabe a verdade.
 A verdade é que essa garota, que se acha mulher, só está perdida. Ela nem sabe como ela é e o que quer, na verdade, poucas pessoas sabem, mas isso a enlouquece. Mas cara, ela é linda. Tu podes vê-la andando por aí e nem se dá conta, porque ela tem uma beleza discreta; a beleza dela é um conjunto de tudo o que ela faz com o que ela é. Nenhum existe sem o outro.
 Ela tem uma mania de ler esses romances baratos e se comparar com a mocinha que nunca tem nada pra dizer nem nada pra oferecer, mas no fundo, há uma imensa coragem descabida nessa garota. Ela não sabe disso, mas sua melhor amiga sabe e aquele cara que sempre está olhando-a e ela nem percebe, também sabe disso.
 É preciso está perto pra saber o que o outro precisa, e ainda assim é difícil. Mas coitada dessa garota, que na verdade sabe que ainda não é mulher, fica escutando quem tá longe.
Essa garota, que não se acha Capitu, vai dançando sem ritmo e vivendo sem saber o que fazer. Mal sabe ela que não precisa "de", ela só precisa "ser".

Luiza Rocha

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