A vida toda eu fugi. Ergui um muro em volta de mim e me
escondia em minha própria mente. Uma
louca. Uma covarde. Eu preferia os
monstros da solidão, as histórias inventadas, os escritores lunáticos, bares
vazios e cigarros de madrugada. Uma vida
a esmo.
Eu não sabia o que estava fazendo, mas mesmo assim seguia em
frente. Talvez eu não fosse covarde. Talvez fugir e se trancafiar nas minhas
fantasias fosse mais difícil. Levar uma vida pra dentro, às vezes, tem me
parecido um ato de coragem. Quando se escolhe viver uma vida pra dentro, não se escolhe sair. Aqui é tudo tão vazio e sujo e louco, que eu queria poder
gritar pra me tirarem daqui. Mas ninguém escutaria, porque não existe ninguém
nem dentro e nem fora. Apenas eu e as porcarias inventadas esperando pra
acontecer e perdendo a lucidez, assim como eu, por não conseguir existir.
Luiza Rocha

Nenhum comentário:
Postar um comentário