segunda-feira, 29 de julho de 2013



É engraçado. Por que, quem em sã consciência se interessaria por mim? Não acho que nasci pra isso. Digo, amar. A minha praia é a solidão. Ninguém me serve e não me sinto o encaixe de ninguém. Sou como aquela roupa que você compra sem experimentar e quando chega em casa, o número é maior ou menor, tanto faz. E você acaba jogando fora, como qualquer outra coisa na sua vida que ocupa um espaço desnecessário. Eu vejo casais que se olham com um brilho gritante no fundo dos olhos e logo penso que ninguém jamais olharia pra mim daquele jeito. Eu ouço histórias de loucuras de amor feitas pra alguém e tenho certeza de que ninguém faria algo parecido por mim. Há algo na minha essência que me impede de ser uma pessoa interessante, misteriosa, atraente ou algo parecido. Existe uma barreira gigantesca entre o meu lado e o lado onde se encontra o resto do mundo. E ninguém, absolutamente ninguém, tem o interesse de atravessá-la. Em compensação, a solidão, a angústia e o vazio a atravessam com facilidade e me tomam o peito. O amor nunca bate na minha porta, nunca sorri na minha direção, nunca me chama pra tomar um café. Cheguei a conclusão, depois de todos esses anos brigando com a vida e exigindo uma história digna de filme romântico, que o meu lugar é, sempre foi e, em todos os casos, sempre será no meu quarto, intacto e sozinho. Não existe um só ouvido paciente pra me escutar, tampouco um colo quente pra me abrigar. Eu sou como um objeto insignificante no meio de uma casa abandonada. As paredes são as minhas únicas e fiéis companhias. O problema é que paredes não preenchem um coração oco, não aquecem os pés no inverno e não abraçam forte no escuro. Confesso, não sei amar. Não sei me doar, não sei me render e também não faço ideia de como me entregar. O problema é que o mundo não me dá a oportunidade de aprender."

- Capitule e Querido John

domingo, 28 de julho de 2013

Amor é tudo aquilo que nós dissemos que não era


Uma definição

amor é uma luz à
noite atravessando o nevoeiro

amor é uma tampinha de cerveja
pisada no caminho
do banheiro


amor é a chave perdida da sua porta
quando você está bêbado


amor é o que acontece
uma vez a cada dez anos


amor é um gato esmagado


amor é o velho jornaleiro na
esquina que
desistiu


amor é o que você acha que a outra
pessoa destruiu


amor é o que desapareceu junto
com a era dos navios encouraçados


amor é o telefone tocando,
a mesma voz ou uma outra
voz mas nunca a voz
correta


amor é traição
amor é o incêndio dos
sem-teto num beco


amor é aço
amor é a barata
amor é uma caixa de correio

amor é a chuva sobre o telhado
de um velho hotel
em Los Angeles


amor é o seu pai num caixão
(aquele que te odiava)


amor é um cavalo com a perna
quebrada
tentando se levantar
enquanto 45.000 pessoas
observam


amor é o jeito que nós fervemos
como a lagosta


amor é tudo que nós dissemos
que não era


amor é a pulga que você não consegue
encontrar


e o amor é um mosquito


amor são 50 lançadores de granada


amor é um pinico
vazio


amor é uma rebelião em San Quentin
amor é um hospício
amor é um burro parado numa
rua de moscas


amor é um banco de bar vazio

amor é um filme do Hindenburg
se retorcendo
um momento que ainda grita


amor é Dostoiévski na
roleta


amor é o que se arrasta pelo
chão


amor é a sua mulher dançando
colada com um estranho


amor é uma senhora
roubando um pedaço de
pão


e o amor é uma palavra usada
muitas vezes e
muitas vezes
cedo demais.


Charles Bukowski 

segunda-feira, 10 de junho de 2013


A vida toda eu fugi. Ergui um muro em volta de mim e me escondia em minha própria mente.  Uma louca. Uma covarde.  Eu preferia os monstros da solidão, as histórias inventadas, os escritores lunáticos, bares vazios e cigarros de madrugada.  Uma vida a esmo.
Eu não sabia o que estava fazendo, mas mesmo assim seguia em frente. Talvez eu não fosse covarde. Talvez fugir e se trancafiar nas minhas fantasias fosse mais difícil. Levar uma vida pra dentro, às vezes, tem me parecido um ato de coragem. Quando se escolhe viver uma vida pra dentro, não se escolhe sair. Aqui é tudo tão vazio e sujo e louco, que eu queria poder gritar pra me tirarem daqui. Mas ninguém escutaria, porque não existe ninguém nem dentro e nem fora. Apenas eu e as porcarias inventadas esperando pra acontecer e perdendo a lucidez, assim como eu, por não conseguir existir. 

Luiza Rocha

quarta-feira, 20 de março de 2013

Não é Capitu, mas poderia ser.


 É mais uma festa, mais uma musica e mais uma ultima dança. E lá vai ela. Essa garota anda por aí, sempre em bares, baladas, conversas vazias e lugares lotados. Ela sabe que poderia estar em sua casa com um bom livro, ela quer isso. Ela ama um livro. E a vendo assim de longe qualquer um perceberia que ela está feliz, mas só quem já a viu de perto sabe a verdade.
 A verdade é que essa garota, que se acha mulher, só está perdida. Ela nem sabe como ela é e o que quer, na verdade, poucas pessoas sabem, mas isso a enlouquece. Mas cara, ela é linda. Tu podes vê-la andando por aí e nem se dá conta, porque ela tem uma beleza discreta; a beleza dela é um conjunto de tudo o que ela faz com o que ela é. Nenhum existe sem o outro.
 Ela tem uma mania de ler esses romances baratos e se comparar com a mocinha que nunca tem nada pra dizer nem nada pra oferecer, mas no fundo, há uma imensa coragem descabida nessa garota. Ela não sabe disso, mas sua melhor amiga sabe e aquele cara que sempre está olhando-a e ela nem percebe, também sabe disso.
 É preciso está perto pra saber o que o outro precisa, e ainda assim é difícil. Mas coitada dessa garota, que na verdade sabe que ainda não é mulher, fica escutando quem tá longe.
Essa garota, que não se acha Capitu, vai dançando sem ritmo e vivendo sem saber o que fazer. Mal sabe ela que não precisa "de", ela só precisa "ser".

Luiza Rocha

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

João e (a velha) Maria



Duas vezes eu quase morri de saudades de você. Uma quando eu vi Closer e lembrei que o amor, como deveria, não existe. E outra quando escutei sem esperar “Quem te viu, quem te vê” e lembrei que você era um pedaço charmoso de tudo o que o mundo e a vida têm de mais charmoso. Doeu lembrar ou aceitar que esse pedaço não existe mais nem no predinho azul e nem no sofá azul. Neste dia você finalmente morreu, e eu chorei de luto sem teatro, de luto não atual, de resto de luto. De um luto morto.
Você namora, casou, sei lá, com a menina de bolsas e saias bonitas que não tem cara de louca. E essa é a minha vingança, porque eu sei que você é mais feliz sem loucura, mas a felicidade e a normalidade não existem. Eu ainda acho que a gente tinha alguma verdade que faz você, nem que seja a cada 100 anos, arranhar um Chico Buarque em meu luto. Um luto cheio de vida.
Vez ou outra chegam aqueles seus emails que você responde por educação e são cheios de frases quase íntimas envoltas pela maior frieza do mundo. É como se a cada letra você reafirmasse que somos amigos cheios daquela inteligência de camaradas descolados e bem resolvidos que, como tudo na vida que ainda respira e tem cor, seguiram em frente.
Sim, somos isso mesmo, claro. Mas eu caguei para tudo isso e fico com o seu abraço naquele fim de festa estranho em que você foi o dj e, para a minha surpresa, me fez matar a saudade do meu mundo.
Eu fico com as danças que sem nenhum medo das críticas eu improvisei para o nosso espaço no universo. Dancei como uma bailarina que volta a funcionar milagrosamente, e pela última vez, numa caixinha de música quebrada.
Eu fico para sempre com o que você plantou em mim, essa erva do mal. Você sabia que me tornei uma mal-humorada-pseudo- intelectual totalmente insuportável e crítica? Você ao menos era culto de verdade.
Você está bem onde está, eu estou bem onde estou. Mas, como aconteceu naquele dia na praia, em que eu passei indo com meu novo amor e cruzei você vindo com seu novo amor, não tem como a gente não olhar para trás.


Tati Bernardi

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Olha só, o amor não dói


 Era uma tarde chuvosa e triste. Mas eu só conseguia me lembrar de você, naquela noite dizendo baixinho, que eu era apenas uma menina covarde que tinha medo de ser amada, e que o meu maior medo estava acontecendo. E quando acordei você não estava do meu lado, e eu não me preocupei, porque sabia que você iria voltar.
 Eu não vou embora como aquela vez, não vou estragar tudo como sempre, por achar tudo pouco e banal. Porque não é. E agora, neste momento, a única coisa que me assusta é não sentir medo. Porque é no meu medo que eu encontro um pouco de chão. Mas agora eu penso: e daí que eu não tenho mais chão? Se tudo isso acabar e eu cair, talvez lá em baixo haja flores. É um risco, mas vale muito mais a pena tentar.
 Quando tenho aquelas crises de choro do nada, com medo da alegria e sua fugacidade, e me acho louca e choro mais ainda, me lembro de você dizendo que tudo bem perder o controle assim de vez em quando, de chorar baixinho pela minha própria loucura e do mundo. Eu com as minhas crises e você com sua calma psicológica. Eu querendo derrubar o mundo e você querendo promover a paz com seu jeito bom moço.
 Ninguém acreditava na gente, e mesmo assim saímos da nossa bolha de proteção e enfrentamos todas as duvidas, e apesar de sermos completamente diferentes, éramos o que faltava um no outro.
 Eu sinto muito, sei que vocês vêm aqui pra lerem as loucuras da doida eterna revolucionaria de sofá, e os meus textos malandros iludidos, e também sei que esse texto está meloso, mas é isso aí.  Não tem palavrão, não tem tristezas e nem sujeiras. E é isso, enquanto eu apenas sinto e existo.


Luiza Rocha

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ogrodoce


Você voltou rápido do banheiro. Eu só fui cuspir o chiclete. Por que não cuspiu nessa catarreira aí do lado? Porque isso é um troço de botar velas. Eu tomei uma garrafa inteira de vinho, acho melhor ir pra casa. Acho que você deveria ficar. Acho que se eu ficar, vou querer ver seus peitos. Agora não rola, tem criança aqui.

 Olha bem: é uma anã. Eu não gosto da minha bunda. Sua bunda é bonita, você é toda bonita, bonita normal, mas seus peitos são internacionais. Eu gostei da sua calça molinha, dá pra sentir exatamente como é o seu pau. Você não quer sentir ele na boca? Quero, assim que as crianças forem embora. Olha bem: é uma anã. Não é. Mas ela tá fumando. Meu Deus, é mesmo uma anã. Então chupa meu pau? Espera, vamos pra minha casa? Você vai me levar pra sua casa? Só se você prometer que não vai me matar. Eu prometo, até porque tô sem tempo hoje. Se você fizer assim eu não vou conseguir dirigir. Dirige assim, quero ver. Não posso bater o carro, eu vou vender o carro na quarta. Tá perto? Eu tô com muito tesão. Eu também. Mas eu tomo um remédio que mexe com a minha libido, tô achando estranho tanto tesão. Eu não tomo nada mas deveria porque eu não durmo. Dorme na minha casa. Você disse que odeia que durmam na sua casa. Mas eu gosto de você. Eu gostei do seu cheiro. Do meu cheiro ou do perfume? Não sei. Eu gostei de você porque você é meio ogro, meio doce, você é ogrodoce. Você está tão sensual agora. Só agora? Só. Mas estamos juntos desde as seis da tarde e só fiquei sensual agora? Só. Mas eu te fiz rir das seis da tarde até agora. Macaco de circo não é sensual, é divertido, é legal, mas não é sensual. Eu sempre achei que ser engraçada era meu ponto forte. Não é. (________). Você ficou mal com o que eu falei? Muito. Por quê? Porque sem fazer piada eu não sei fazer mais nada. Então chupa meu pau. Tenho nojo sem estar apaixonada. Então se apaixona. Tá. Chegamos? Sim. Legal aqui, pequeno mas legal. E se eu falar o mesmo de você? Vai voltar a fazer piada? Eu não consigo parar. Para só um pouco, só um pouco. Vou tentar. Se desarma, vai. Vou tentar. Posso ver agora? Pode. Posso tirar a calça? Pode. Então tira a bota antes, botas são complicadas. Tiro. Você só me obedece? Só. Ah não, você tá fazendo graça! Tô. Não faz graça, se entrega, fazer graça é sua defesa, não se defende, eu tô bêbado, eu não tô me defendendo. Pra você é fácil. Por quê? Porque você é homem. Homem morre de medo de mulher como você. Como sou eu? O tempo todo analisando profundidades, dando notas de desempenho para almas. Notas? É, você é a Bruna Surfistinha da profundidade. Eu quero chupar seu pau. Não, antes eu quero ver uma coisa. Pode ver. Você tá com frio? Não, eu tô tremendo porque gosto tanto de você.

 Calma. Eu sei. Calma. Eu sei. Posso? Espera, deixa eu pegar a camisinha. Onde tem? Ali. Você é safada. Por que tenho camisinha perto da cama? Amanhã quando eu for embora seu porteiro vai rir e pensar "essa dona do 64 não perde tempo". Eu sou uma vadia porque vou transar com você e acabei de te conhecer? Não! É? Não. Então não. Chupa mais um pouco antes de eu colocar. (___________). Espera, devagar. Tá. Posso? Pode. Vira? Viro. Fica assim? Fico. O que foi? Doeu um pouco. Desculpa. Não. Não desculpa? Desculpo, mas não, não para. Eu posso gozar? Pode. E você? Eu vou bem, obrigada. Não faz piada agora, peloamor, eu tô quase gozando e você continua armada. Desculpa, mas me sinto sexy sendo engracada. Você é muito sexy sendo engraçada. Você disse que não. Eu menti. Adoro essa música. O que é isso? Animal Collective. Não curto essas coisas estranhas, meio eletrônicas, meio sei lá. Você tem o melhor beijo do ano, o melhor sexo oral do ano, a mão quente, a boca quente, é tudo tão gostoso. Sério que você não vai falar do meu pau? Seu pau é lindo. Eu nunca imaginei que seria tão bom. Por quê? Porque você é metidinha intelectual, nhãnhãnhã. Posso lamber sua tatuagem? Posso te enforcar um pouco? Eu dou defeito. Toda mulher dá defeito, mas você parece ser o tipo louca que dá defeito rápido. Eu já tô dando defeito. Eu vou gozar. Goza. !!!!!!!!!!!!, eu tô com vergonha. Por quê? Por causa do escândalo. Foi lindo, você parecia a Luisa Marilac falando "porra" e tomando uns bons drink na Eu-ro-pa. Eu pareço um traveco gozando? Desculpa, eu não consigo parar de fazer piada. Eu vou embora. Mais cinco, por favor? Trepadas? Não, minutos. Eu preciso ir. Por quê? Pra não ficar pra sempre. Fica pra sempre. Por quê? Porque aqui tem amor, dinheiro e tarja preta, você pode só descansar existindo, eu faço o resto todo. Tarja preta vicia. Dinheiro também. Você tá tirando onda de rica? Não, eu tô tirando onda de homem. Você é uma menininha. Perto de você eu consigo ser e você não sabe o prazer que isso me dá. Se sentir menina? Estar com um homem, eu só andei com moleques nos últimos anos. Eu sou velho? Você é bonito demais. Eu sou bonito porque você admira meu trabalho, eu não sou bonito tipo andando na rua. Você é bonito tipo andando na rua. Seus peitos são internacionais. Leva um e me deixa com o outro. Qual você quer me dar? O que tem o coração. Você vai pro Rio quando? Eu quero te ver de novo. Então, vai pro Rio. Eu tenho fobia do Rio. Eu também. Porque lá é tudo feliz mas eu me sinto sozinha.Exatamente. 

Quero tanto te ver. Dá próxima vez você é que vai pagar o vinho. Mas foi você que bebeu. Não interessa. Fala "não interessa" de novo. Não interessa. Adoro sua voz. E o que mais? E sua mão quente e seu beijo calminho e intenso e seu jeito de lamber antes a calcinha pra ver se tava cheirando bem. Tava cheirando ótimo. Mas eu trabalhei o dia inteiro. Mas tava ótimo. Cheiro ou combina ou não combina. É. É. Chama um táxi. Não. Eu ficaria mais se não tivesse que arrumar as malas. Não arruma, fica pelado pra sempre, você é tão bonito pelado. Vou jogar isso fora antes que caia tudo na sua cama. Deixa cair, engravida minha solidão. Que bonito isso, você deveria ser escritora. Que cínico você, deveria ser ator. Eu ficaria mais. Eu não gosto nunca de nada e gostei tanto de você. É? Droga. O quê? Eu falando de gostar. E daí? E daí que vai acontecer tudo de novo. O quê? Vou sentir demais, falar demais, escrever demais, você vai embora. Agora eu vou embora. E depois? Depois não sei. Tá. Eu ficaria, sério, eu ficaria muito, muito, muito. Eu sei. Mas agora eu vou. Então tira o dedo dai. Não consigo. Então não tira. Eu queria foder o dia inteiro com você. Eu queria foder a vida inteira com você. Você é exagerada. É só como dá pra ser. Chupa meu pau? Pra sempre.